#FearTheReturn ???

Quem nunca assistiu a uma luta e se perguntou “Onde é que foi parar a performance desse lutador?” ou fez comentários como “Nossa! Ele não parecia estar dentro daquele ringue!” – é exatamente esse tipo de questionamento que vem intrigando aos fãs do MMA Feminino ao longo dos últimos mais de doze meses.

Pelas regras, um golpe que desorienta o adversário e o deixa fora de condições de continuar a luta, seja por debilitação extrema, desacordado ou inconsciente, equivale ao fim do combate e sua derrota é declarada por nocaute. Foi assim, por meio de um chute alto e socos de Holly Holm, que Ronda Rousey, a atleta mais famosa no mundo da luta, com um cartel 12-0 (doze vitórias e zero derrotas) sucumbiu no UFC 193, conhecendo pessoalmente o poder de um nocaute.

Em busca de alcançar o título de Campeã Peso Galo Feminino, novamente, após tanto silêncio, Ronda retornou ao cage do UFC 207, neste 30 de Dezembro, como desafiante da brasileira Amanda Nunes (que já é a terceira detentora do título desde que Ronda Rousey se afastou).

Ao longo do último ano, Ronda passou por um período de cirurgias, recuperação, férias e treinamento árduo, desde que perdeu seu cinturão; tanto que na pesagem do UFC 207 tivemos a oportunidade de vê-la em sua melhor forma física! Seu estado físico foi visivelmente fácil não apenas de se recuperar de tudo isso, mas também de se aperfeiçoar; foi como se Ronda estivesse nos apresentando um update de si mesma – mas e o que não podemos ver?

O nocaute é o real pesadelo de qualquer atleta das Artes Marciais Mistas; mas é como um flash! De repente tudo fica escuro, você apaga e segundos depois, acorda. Quando um atleta perde de uma maneira tão traumática como essa, passa a ser influenciado por seu estado emocional, tanto na vida quanto em todo o seu treinamento. E aqui entra a questão “NOCAUTE: trauma ou redenção?”

É preciso vencer a ansiedade e o medo. A ansiedade de pisar no cage novamente enquanto milhares de pessoas te encaram e outras milhares te assistem ao redor do mundo através da TV; e o medo de falhar novamente, o medo de um golpe contundente que te leve mais uma vez ao hospital. É preciso vencer o orgulho ferido, que te lembra o tempo todo de ter se transformado em alvo de chacotas, memes e piadinhas – e saber que o nocaute faz parte da luta; nocautear ou ser nocauteado faz parte de aceitar a trocação, esteja você preparado para ela, ou não. É preciso estar mentalmente confiante, emocionalmente organizado e entender que se recuperar de um nocaute é o processo e a oportunidade para o atleta se reinventar!

Nessas condições não bastam experiências ou um cartel bonito cheio de vitórias, é necessário resiliência e coragem. Quando não sabemos lidar e gerenciar essa carga emocional, ficamos em desvantagem.

Enquanto Ronda se preparava para pisar no cage do UFC 207, nos martirizávamos sob o efeito surpresa – teria Ronda Rousey se reinventado? Em nenhum momento conseguimos afirmar com clareza sobre o que estava por vir; parte de nós ansiava por vê-la em cena, com uma performance brilhante, e outra parte por ver a Leoa, Amanda Nunes, mantendo este título no Brasil. Ronda por sua vez, caiu nas garras da Leoa, em menos de 50 segundos do primeiro round, Amanda deixou a americana desnorteada, sucumbindo ao segundo nocaute consecutivo em sua carreira no Ultimate.

Durante toda a campanha para este evento, a internet ficou abarrotada de fotos com a hashtag #FearTheReturn, mostrando o apoio dos fãs para com Ronda, ídolo do MMA Feminino. Logo após sua derrota, uma avalanche de memes e chacotas viralizou na rede mais uma vez.

Não sabemos se a americana voltará a pisar no octógono do UFC, a mesma já se pronunciou dizendo que precisa repensar sobre sua carreira e seu futuro, mas o que sabemos é que ela é sinônimo de superação, e que mesmo não sendo mais a campeã de sua categoria, seu rosto foi um dos responsáveis pela popularização do MMA Feminino e um nocaute não apaga a história de uma atleta com a performance de Ronda Rousey.

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Jaqueline Baptista
24 anos, resiliente e faladeira! Apaixonada por Artes Marciais desde a adolescência, mas só conheci realmente o tatame há dois anos. Fanática por trocação; o meu coração bate mais forte pelas Strikers!