Especial Ronda Rousey em 3 partes: O retorno ou o fim!

Falar de Ronda Rousey é certeza de uma boa discussão, por isso dividiremos está matéria em 3 partes. Impossível esgotar o assunto, contudo de maneira sucinta porem não simplista, tentaremos colocar todas as cartas na mesa, afim de chegar a uma boa reflexão. Veja: 

Parte I – Ronda e sua trajetória meteórica.

Parte II – O “impossível” aconteceu!

Parte III – O sonho pode não se tornar realidade.
Parte I

Ronda e sua trajetória meteórica.

Vindo de uma admirável carreira no judô, que levou Ronda Jean Rousey a ser medalhista olímpica de bronze em Pequim nos jogos de 2008, o mundo do MMA não poderia prever que as mulheres teriam uma ascensão tão enérgica, como aconteceu com inúmeras atletas que há tantos anos lutavam (literalmente) por seu espaço neste esporte, e graças a Ronda Rousey hoje têm a notoriedade merecida, mas que ainda há muito a conquistar. Não quero aqui cometer nenhuma injustiça com Cris Cyborg, Gina Carrano entre outros destaques do WMMA que antecederam Ronda Rousey, todavia não podemos negar que o patamar em que as mulheres estão hoje não seria o mesmo sem o pisão no acelerador dado por Ronda para alcançar os holofotes. 

Após uma breve passagem experimental pelo MMA amador, em 2011 Ronda estreou sua carreira profissional de maneira fulminante, finalizando atletas com anos de experiência em menos de 1 minuto e ainda no primeiro round. 

Bastaram apenas 2 lutas para que um grande evento chamado Strikeforce (hoje incorporado ao UFC) se interessasse pela lutadora, que repetiu seu feito nas duas lutas seguintes, finalizando de igual modo, via arm lock (chave de braço) suas adversárias nos primeiros segundos de luta. Não demorou muito para Ronda iniciar sua campanha por uma disputa de cinturão que na época pertencia a atual campeã do UFC Miesha Tate. 

Questionada por Miesha e outras atletas se a chance era merecida, já que seu cartel contava com apenas 4 lutas, Ronda garantiu a chance com a ajuda de um recurso que há anos costuma dar certo: o trash-talk. Após vários insultos entre ambas (veja de onde vem à antiga e eterna rivalidade entre Ronda e Miesha), a luta ocorreu de forma brilhante para Ronda e drástica para Miesha. No final do primeiro round Ronda encaixou uma chave de braço apertadíssima, chegando a quebrar o braço de Miesha Tate que não bateu em desistência.

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Ronda Rousey se tornou a campeã do evento, tendo vencido todas as suas lutas com a mesma arma, o arm-lock. 

Em sua primeira e única defesa de título no Strikeforce, Ronda finalizou uma atleta extremamente carimbada e que possuía o triplo de lutas na carreira, iniciando então o que viria ser futuramente sua aura: imbatível!

O que parecia impossível aconteceu! Mesmo tendo feito declarações de que jamais mulheres lutariam em seu evento, Dana White, presidente do maior evento de MMA do mundo, o UFC, se rendeu ao talento, carisma e competência de Ronda Rousey, decidindo então abrir as portas para as mulheres e apostar no que poderia ser promissor. E não deu outra! Hoje as mulheres lideram cards e fazem bonito no evento mais significativo do mundo. Foi com Liz Carmouche que Ronda fez sua primeira defesa de cinturão já no UFC e que levou o público a loucura. Com um mata leão muitíssimo apertado, Ronda resistiu bravamente e conseguiu se livrar do ataque de Carmouche e cair por cima para fazer o que já era esperado, aplicar sua finalização favorita. E foi por chave de braço que Ronda, num duelo emocionante venceu seu primeiro desafio na nova organização. 

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A partir de então Ronda passou a enfileirar atletas de bom nível como Miesha Tate (revanche), Sara Mcmann, Alexis Davis e a atleta que era considerada a maior ameaça ao seu título, a até então invicta Cat Zingano, que caiu numa chave de braço espetacular com apenas 14 segundos de luta, protagonizando a defesa de cinturão vencida por finalização mais rápida da história do UFC. Além de Zingano, Ronda deu pela primeira vez o gostinho da derrota para Sara Mcmann e Bethe Correia, que foi vítima da última defesa de cinturão bem sucedida de Ronda, perdendo em casa, num dos maiores eventos do UFC no Brasil, entrando para a lista dos 10 eventos de maior venda de Pay-Per-View. 

Enquanto tudo isso acontecia, em fevereiro de 2015 estreava no UFC uma atleta que era vista por muitos como a mulher que poderia parar Ronda Rousey. Holly Holm, que antes de estrear no MMA foi campeã mundial de boxe em 3 categorias diferentes, possuía um cartel perfeito com 7 vitórias e nenhuma derrota, vencendo 6 adversarias por nocaute. Em sua primeira atuação no maior octogono no mundo, Holly frustrou as expectativas de muitos fãs, vencendo por decisão dividida Raquel Pennington, considerada a grande azaram. Em sua segunda luta no UFC Holm bateu também por decisão Marion Reneau, novamente frustrando os fãs e especialistas, levando-os a acreditar que seria mais uma atleta a ser “atropelada” por Ronda Rousey. 

Apesar de ter conquistado a chance de disputar novamente o título, após bater 4 adversarias sendo 3 delas top 10 da categoria e a outra invicta, Miesha Tate que era a próxima da fila, viu sua chance ser “roubada” por Holly Holm tendo inúmeros motivos alegados como: os fãs querem ver uma nova luta, você precisa vencer mais uma oponente, uma nova derrota para Ronda pode ser o fim da sua carreira etc… O UFC parecia ter razão, e então promoveu a luta que chocaria o mundo. Holly Holm tinha sua oportunidade pela disputa de cinturão garantida. De fato era difícil imaginar uma atleta que teve uma ligeira dificuldade em vencer duas atletas ranqueadas de fora do top 10 fazendo frente a uma lutadora que em 12 lutas passou apenas 1 vez do primeiro round. 

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Bem… O resultado todos conhecemos e no próximo texto discutiremos a primeira derrota de Ronda Rousey, a repercussão no mundo do MMA, possíveis motivos para a queda, e nova realidade da divisão peso galo feminino do UFC. 

Não perca a II parte deste artigo: “O impossível aconteceu”.

Edgard Garcia

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Edgard Garcia
Edgard Garcia, brasileiro, amante de lutas e de esportes. "Vejo o MMA como paixão mundial dentre alguns anos, e amanhã, quando olhar para trás, quero ver o quanto o esporte evoluiu, as oportunidades cresceram e a vida de muitos tomou um rumo melhor por meio do desporto".

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