Bethe Correia: amada e odiada por seu povo! Entenda:

Bethe “Pitbull” Correia é sem dúvida um dos nomes mais comentados entre as mulheres brasileiras do UFC. Uma grande base de fãs tem apoiado a atleta com inúmeros elogios, incentivo e vibrações positivas. Por outro lado exite uma gama de seguidores que enche as redes sociais com críticas, palavras duras e xingamentos sobre suas lutas, entrevistas e ações que a brasileira participa. As críticas e insultos são inúmeros, porém vamos pontuar 4 delas.

Sendo Bethe Correia brasileira e tendo tantos holofotes em cima dela, porque grande parte do público brasileiro não caiu nas graças da atleta? Na tentativa de enxergar por outro prisma, vou na contra mão da grande maioria e buscar perceber o outro lado da moeda.

Vamos aos pontos e contra-pontos:
Os Pontos mais comentados pelos seguidores são:

Bethe não é uma boa lutadora.
Bethe fala muito e não faz nada.
Bethe não tem humildade.
Bethe Correia não me representa.
Análise e contra-pontos:

Afirmar que Bethe “Pitbull” não é uma boa lutadora pode ser um tanto injusto com a atleta. Apesar de tão pouco tempo neste esporte (apenas 4 anos), Bethe fez seu caminho até chegar ao UFC. Antes disso a brasileira atuou em eventos nacionais e venceu nomes como Erica Paes (única mulher a vencer Cris Cyborg) e a até então invicta Ju Pitbull. Bethe teve sua primeira chance no UFC enfrentando logo de cara uma veterana deste esporte, a americana Julie Kedzie e saindo vencedora por decisão dividida. Nada mal para alguém que estreava no maior evento de MMA do mundo como azarã e que tinha apenas 2 anos como lutadora profissional. Bethe tem duas derrotas e quarto vitórias no evento. O nocaute para Ronda não é nenhum demérito, afinal até hoje somente uma mulher foi capaz de vencer Ronda. Na luta contra Raquel Pennington Bethe sofreu o revés, porém a derrota na decisão dividida poderia ir para a americana, já que a luta foi muito apertada e muitos comentaristas viram vitória da Brasileira.

Bethe de fato fala muito, porém precisamos ter um olhar crítico sobre esse tema. A mídia tem o poder de endeusar ou endemoniar quem eles querem e juntando com o temperamento forte da atleta torna-se um prato cheio para gerar boas polêmicas. Muita gente não tem tempo ou paciência para ler as matérias por completo e ficam apenas com a “notícia de capa” que geralmente é a fala que mais pode gerar interresse no leitor, porém muitas vezes vem fora de contexto e carregada de malícia, afim de provocar discussão e debate entre os leitores. Pela notoriedade que Bethe tem e por suas declarações sempre confiantes o público espera muito mais de seu desempenho que geralmente não surpreende, frustrando a expectativa do público que não vê chutes altos ou frontais, quedas e jogo de solo, socos e chutes giratórios entre outras habilidades que costumam deixar as lutas mais emocionantes. Ainda que com um jogo previsível, Bethe já anota 4 vitórias no UFC.

Bethe soube se promover para chegar a uma disputa de título. Acabou derrotada e junto com a derrota foi embora sua credibilidade. Quando se fala e se cumpre, não importa a quantidade de besteiras que se fale, é inevitável que o atleta ganhe moral, a exemplo de Conor Mcagregor. Parece que a Pitbull aprendeu muitas coisas com a derrota para Ronda. Após isso Bethe fez duas lutas contra duas outras americanas e deixou a batalha de palavras de lado para lutar apenas no octógono. Não se ouviu falar de trash-Talk enter Bethe e suas últimas adversárias. Mesmo derrotada, a brasileira chegou a trocar camisas autenticadas com Raquel Pennington além de fotos. Em sua última luta Bethe foi surpreendida com um empurrão na encarada da pesagem e ainda assim não usou suas mídias sociais para provocar ou insultar sua adversária. Talvez a questão chave que leva muitos fãs a criticarem a atleta seja seus desafios a lutadoras que estão no topo como Miesha Tate e Cris Cyborg. Buscar grandes desafios não é o problema, porém quando o tiro sai pela culatra, ai é que está o problema.

Quem conhece a história de Bethe “Pitbull” Correia certamente tem motivos para não só se orgulhar dela, mas também para tê-la como inspiração. Quantas atletas com apenas 4 anos de profissão estão hoje no UFC lutando contra as melhores do mundo? Quanto suporte e estrutura para treinar Bethe Correia tem? Quantos patrocinadores em potencial estão atualmente financiando a brasileira? A história de superação e dedicação de Bethe para alcançar seu sonho, mesmo não tendo metade dos recursos que precisa, tem motivado outras atletas em início de carreira a dar o seu melhor e aguardar a oportunidade que qualquer atleta de MMA espera e entrar para o UFC. Falastrões e foras da lei como Conor McGregor e Jon Jones são ovacionados por seu povo, enquanto muitas vezes tratamos algum de nosso valentes como vergonha nacional. Talvez falte sensibilidade do povo em buscar enxergar além do octogono, e conhecer a verdadeira luta de alguns atletas brasileiros de MMA.

Em minhas considerações finais quero pontuar que muito do que atleta tem vivido poderia ser amenizado, caso a lutadora buscasse novas estratégias de auto-promoção, tivesse um pouco menos de ímpeto em suas entrevistas e conseguisse um bom empresário/marqueteiro, que traça-se um plano estratégicos de lutas para chegar outra vez ao title-shot, com a moral elevada e o apoio dos fãs. Porém, como dito anteriormente, para quem está de fora é sempre mais fácil “solucionar” os problemas. O melhor caminho no entanto é enxergarmos além das grades do octogono para então nos colocarmos na posição de quem é digno de fazer boas críticas. De qualquer maneira, que toda sorte do mundo alcance nossa atleta paraibana, brasileira e valente.

COMENTÁRIOS

comentários

Edgard Garcia
Edgard Garcia, brasileiro, amante de lutas e de esportes. "Vejo o MMA como paixão mundial dentre alguns anos, e amanhã, quando olhar para trás, quero ver o quanto o esporte evoluiu, as oportunidades cresceram e a vida de muitos tomou um rumo melhor por meio do desporto".

4 Comments

  1. Vinicus

    24 de setembro de 2016 at 0:37

    Concordo plenamente.Falou tudo que tinha ser falado sobre ela. Ninguém chega a onde ela chegou só falando, mas sim lutando.

  2. Saulo

    24 de setembro de 2016 at 8:30

    Excelente texto. Adorei, mano.

  3. Cláudia Del Picchia

    26 de setembro de 2016 at 15:06

    Vejo Bethe treinar desde o kung fu e só quem esteve ao lado dela, sabe o qto ela lutou pra chegar onde chegou. E o caminho dela vai longe ainda. Muita fé nessa guerreira.

  4. Dan

    26 de setembro de 2016 at 18:33

    4 anos de mma,meritos pra ela, mas fale da falta de material humano do mma feminino no ufc e do nível baixo das lutadoras de mma que a bethe enfrentou no ufc…tudo isso contou pra ela chegar no evento e disputar o ts 🙂 ts não merecido, pois não tinha nível pra tal… basta comparar, vejam a luta e Amanda Nunes vs chevschenko e bethe vs pennington, a questão não é quem ganha ou quem perde, é o nível de cada lutadora

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